Por Evandro Lira Análise Política
Em meio à efervescência da pré-campanha e à tradicional guerra de números que antecede o pleito estadual, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), tem deixado claro qual será a sua principal bússola: a temperatura das ruas.
Respondendo aos nossos questionamentos sobre o alinhamento entre as recentes pesquisas eleitorais e as grandes mobilizações populares que têm marcado sua agenda, Campos recorreu a uma expressão popularizada nos bastidores da política: o "Data-Povo".
"Em tempos que você vai ter pesquisas sérias, pesquisas que não são sérias, tem pesquisa certa, tem pesquisa errada... o mais importante é você estar alinhado com o povo. E o calor da rua, ele não mente", afirmou o pessebista, destacando que o acolhimento popular e o sentimento de representatividade são os verdadeiros termômetros do seu projeto político.
O Legado: "Tem gente que aprendeu a espalhar, eu aprendi a juntar"
Durante a conversa, trouxemos à tona uma lembrança emblemática do seu pai, o ex-governador Eduardo Campos. Sempre que assumia o microfone nas tribunas populares, Eduardo costumava cravar uma máxima que definia seu estilo de liderança: "Tem gente que aprendeu a espalhar, eu aprendi a juntar". A recordação dessa frase histórica serviu de gancho para João Campos ditar o tom civilizatório que pretende imprimir em sua jornada rumo ao Palácio do Campo das Princesas.
Afastando-se da polarização agressiva que dominou o cenário nacional nos últimos anos, Campos foi taxativo e espelhou o discurso do pai: "A política, hoje em dia, está virando um ambiente de muita agressão. E a agressão é a antipolítica. [...] A gente aprendeu a fazer política juntando, olhando mais para as convergências, enfrentando os problemas e não as pessoas".
O recado aos adversários e ao eleitorado é claro: não esperem ataques pessoais em seu palanque. "Vocês não vão me ver aqui falando mal de um, de outro, agredindo, sendo grosseiro. Não se faz política desse jeito", garantiu.
Apesar do tom conciliador na forma de tratar os atores políticos, João Campos fez questão de ressaltar que a diplomacia não significa complacência com as falhas da máquina pública. Rebatendo implicitamente os discursos de promessas sem execução, ele cravou que "não adianta ter uma conversa bonita se o resultado não chega na ponta".
"Estou pronto para respeitar as pessoas. Agora, eu vou ser muito duro para enfrentar os problemas e buscar melhorar a vida das pessoas", concluiu o pré-candidato, mostrando-se animado e prometendo uma pré-campanha "bonita, altiva e propositiva".
Com a frase "vamos entrar em campo para vencer as eleições", Campos encerra o recado. Se o "Data-Povo" vai se confirmar nas urnas, só o tempo dirá, mas a estratégia do PSB já está desenhada: blindar-se dos ataques, focar nas entregas e apostar no carisma herdado para pavimentar a estrada pelo interior de Pernambuco.


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