Transnordestina em Pernambuco segue marcada por sucessivos impasses e prejuízos ao Estado

 (Foto: Yasmin Fonseca/MIDR)

O trecho Salgueiro-Suape volta ao centro do debate após decisão do TCU e reforça um histórico de atrasos, mudanças de rota e prioridade ao ramal cearense.

A ferrovia Transnordestina acumula um histórico de decisões desfavoráveis ​​para Pernambuco, especialmente no trecho entre Salgueiro e Suape , que vem ficando de lado ao longo de diferentes governos e gestos empresariais. No centro da nova controvérsia está a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que o Ministério dos Transportes e a Infra SA não assumam novos compromissos financeiros sobre a retomada da obra nesse Ramal.

Histórico de perdas

  • A antiga Malha Nordeste foi concedida à iniciativa privada em 1997 .

  • A vencedora do leilão foi a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) , que assumiu o compromisso de viabilizar toda a Transnordestina.

  • O projeto anterior a ferrovia saindo de Eliseu Martins, no Piauí , passando por Salgueiro e se dividindo em dois ramais: Pecém , no Ceará, e Suape , em Pernambuco.

  • Com o tempo, a subsidiária TLSA abandonou o trecho pernambucano e priorizou o ramal cearense.

Recursos concentrados no Ceará

A retomada das obras também passou a depender fortemente de recursos públicos, com destaque para fundos federais federais ao desenvolvimento regional. Em 2022 , o governo federal retirou o trecho pernambucano do contrato de concessão. Já em 2023 , o Ramal Salgueiro-Suape foi incluído no Novo PAC , mas sem avanço proporcional ao do trecho rumo a Pecém.

O texto também aponta que a TLSA obteve R$ 3,6 bilhões do FDNE , valor que teria comprometido a maior parte da capacidade do fundo até 2027 . Em agosto de 2025 , a Sudene ainda teria destinado mais R$ 800 milhões à entrega, desta vez com origem em recursos ligados ao antigo Finor .

Pressão política e disputa regional

O debate também ganhou força no campo político. A saída do pernambucano Danilo Cabral do comando da Sudene é apresentada como mais um reflexo da pressão exercida por interesses ligados ao Ceará e à própria TLSA. O pano de fundo da disputa é a tentativa de fazer Pecém superar Suape em importância logística e entrega de cargas.

Apesar disso, Suape segue com peso estratégico relevante: no ano passado, movimentou 24,2 milhões de toneladas , acima dos 20,9 milhões registrados por Pecém. O porto pernambucano também é destaque nacional em cabotagem e lidera o setor de transporte de veículos no Norte e Nordeste.

Retomada em Pernambuco

Mesmo com esse cenário adverso e com a decisão do TCU, a governadora Raquel Lyra informou que será assinado, nesta terça-feira (19), o contrato de retomada das obras em Pernambuco. O edital lançado em outubro do ano passado prevê a execução de 73 km entre Custódia e Arcoverde , com investimento estimado em R$ 415 milhões e prazo de conclusão de quatro anos .

Esse novo passo não apagou uma trajetória de indefinições, mas recoloca Pernambuco na disputa por uma infraestrutura ferroviária considerada essencial para reduzir custos logísticos e fortalecer o Porto de Suape.

Fonte: Diario de Pernambuco

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