Altamente prevenível e com grandes chances de cura quando identificado precocemente, o câncer do colo do útero segue como um importante desafio de saúde pública no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em apoio à campanha Janeiro Verde, o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) alerta para a importância da vacinação contra o HPV e da realização regular do exame preventivo, principais estratégias para reduzir a incidência e a mortalidade pela doença.
Apesar de ser considerado raro em países desenvolvidos, graças à ampla cobertura vacinal e aos programas de rastreamento, o câncer do colo do útero permanece entre os tumores mais incidentes entre as mulheres brasileiras, com uma estimativa de mais de 17 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), correspondendo ao segundo tipo de câncer mais incidente. No Nordeste, a doença figura entre os tipos de câncer ginecológico mais frequentes, reforçando a necessidade de informação, acesso à prevenção e acompanhamento médico contínuo.
De acordo com o cirurgião oncológico do HCP, Dr. Vandré Carneiro, a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) está associada a quase a totalidade dos casos de câncer do colo do útero. “A vacinação contra o HPV é hoje a principal ferramenta de prevenção. Ela reduz de forma significativa o risco de infecção pelos tipos do vírus relacionados ao desenvolvimento do câncer e tem potencial para mudar o cenário da doença nas próximas gerações”, destaca o especialista. A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos (9-14 anos).
A transmissão do HPV ocorre principalmente por via sexual e pode acontecer mesmo com o uso de preservativo. Entre os fatores de risco associados ao câncer do colo do útero estão o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e a ausência de exames de rastreamento ao longo da vida.
Além da vacina, o exame preventivo do colo do útero, conhecido como Papanicolau, é fundamental para detectar alterações celulares antes que se transformem em câncer. O exame permite identificar e tratar lesões precursoras, interrompendo a progressão da doença. “Na maioria dos casos, mesmo quando a mulher tem contato com o HPV, ela não desenvolverá câncer, especialmente se realiza o rastreamento de forma adequada e regular”, reforça Dr. Vandré.
Atualmente, as recomendações de saúde indicam que o exame preventivo seja realizado por mulheres que já iniciaram a vida sexual, conforme orientação médica, respeitando os intervalos definidos após resultados normais. Em situações de alterações ou histórico prévio de lesões, o acompanhamento deve ser mais rigoroso.
Quando diagnosticado em fase inicial, o câncer do colo do útero apresenta altas taxas de cura, superiores a 90%. Mesmo nos casos mais avançados, em que há necessidade de tratamentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, as chances de controle da doença e sobrevida são significativas.
“O câncer do colo do útero é, em grande parte, evitável. Informação, vacinação e exames regulares salvam vidas”, conclui o médico.


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